Medicina

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    Gestação em mulheres cardiopatas de alto risco: principais desfechos e desafios
    (UNISA, 2025) Ferreira, Mariana Ienne; Papini, Giovanna Moreira
    INTRODUÇÃO: A gestação impõe sobrecarga hemodinâmica fisiológica, resultando em modificações na homeostasia corporal. Quando associadas a quadro de cardiopatia prévia, essas alterações podem levar à descompensação do sistema cardiovascular, aumentando o risco de complicações. Consequentemente, o prognóstico materno-fetal torna-se desfavorável, com maior morbimortalidade. Este estudo tem como objetivo analisar os desafios e desfechos cardiovasculares, obstétricos e fetais ao longo da gestação, parto e puerpério de gestantes cardiopatas de alto risco acompanhadas em hospital cardiológico de referência, além de identificar as principais variáveis associadas ao prognóstico. METODOLOGIA: Estudo de caráter observacional retrospectivo realizado em um único centro de cardiologia. No período de 6 anos (2017-2022) 464 gestantes portadoras de cardiopatia foram incluídas no registro cardiológico do hospital. Dentre elas, foram selecionadas 115 gestações incluídas nos riscos III e IV da classificação da Organização Mundial de Saúde modificada (mOMS) de risco à gravidez para cardiopatias, 12 foram excluídas devido à ausência de desfechos e duas optaram pelo aborto terapêutico. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Das 101 gestações analisadas houve discreto predomínio de lesões de base congênita (52,5%). Houve 46 (45,5%) complicações maternas, sendo a descompensação da insuficiência cardíaca a mais prevalente e uma morte devido a dissecção aórtica em portadora de Síndrome de Marfan. Ocorreram 14 perdas fetais, 26 (25,7%) bebês prematuros e 22 (21,8%) com baixo peso. A principal via de parto foi a cesárea e as complicações fetais foram significativamente maiores em gestantes portadoras de prótese valvar mecânica. CONCLUSÃO: A gestação em mulheres cardiopatas de alto risco ainda é um desafio a ser enfrentado, embora a melhoria da assistência clínica e obstétrica tenha propiciado melhores desfechos. O seguimento cardiológico constante e o planejamento familiar são pontos chave no acompanhamento dessas mulheres.
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    Amor patológico: aspectos clínicos e neuropsíquicos
    (UNISA, 2025) Ianelli, Pietra Forcignano
    INTRODUÇÃO: O amor patológico é caracterizado pelo comportamento de prestar cuidados e atenção ao parceiro, de maneira repetitiva e desprovida de controle, em um relacionamento amoroso; este quadro é pouco estudado cientificamente, apesar de não ser raro e de gerar sofrimento significativo aos pacientes. Essa população necessita, por parte dos centros de tratamento especializados, de avaliação e abordagem terapêutica efetivas, as quais devem contemplar as características clínicas e de personalidade específicas dessa condição. Investigar e compreender os aspectos clínicos e neuropsíquicos do amor patológico, visando contribuir para uma melhor compreensão dessa condição e para o desenvolvimento de estratégias de diagnóstico e intervenção mais eficazes. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, realizada por meio de análises de artigos disponíveis em bancos de dados eletrônicos como Scielo, PubMed e Google Scholar sem limites no que diz respeito a data de publicação. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O amor patológico é comparável ao vício em drogas; estudos mostram que essas pessoas vivem isoladas, com histórico de distúrbios psiquiátricos e, muitas vezes, abuso de substâncias, estando mais propícias a comportamentos de risco. O fenômeno de rejeição romântica exacerba essa condição, levando a fases de protesto, raiva, melancolia e comportamentos destrutivos. Atualmente, o amor patológico não possui uma classificação oficial no DSM-5, mas é comparado a transtornos de dependência. Sem critérios diagnósticos padronizados, o tratamento desta condição foca em abordagens similares às de transtornos de dependência e obsessivos. Estudos indicam que a psicoterapia de grupo e o trabalho com padrões de apego inseguros podem ajudar a reduzir comportamentos possessivos e obsessivos associados ao amor patológico. CONCLUSÃO: O amor patológico representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo para a prática clínica. A compreensão dos aspectos psicodinâmicos, sociais e culturais relacionados ao amor também se mostra essencial para uma intervenção eficaz. Elucida-se que a pesquisa científica nessa área deve ser incentivada para desenvolver instrumentos de avaliação mais precisos e protocolos de tratamento específicos para o amor patológico.
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    Panorama da mortalidade por melanoma cutâneo no Brasil: uma análise epidemiológica entre 2000 e 2023
    (UNISA, 2025) Romiti, Luísa Ribeiro
    INTRODUÇÃO: O melanoma cutâneo é uma neoplasia maligna de linhagem melanocítica que representa aproximadamente 90% dos óbitos por câncer de pele. A incidência global do melanoma vem crescendo nas últimas décadas, sendo influenciada pela exposição solar, envelhecimento populacional e mudanças comportamentais. No Brasil, sua letalidade é significativa, reforçando a importância de analisar as características epidemiológicas ao longo dos anos a fim de orientar ações de prevenção e diagnóstico precoce. O objetivo do presente trabalho é descrever e analisar as tendências de mortalidade por melanoma cutâneo no Brasil entre 2000 e 2023, segundo sexo, faixa etária e cor/raça. METODOLOGIA: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados brasileiros secundários do Instituto Nacional do Câncer e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística entre 2000 e 2023. Foram incluídos os óbitos por melanoma cutâneo, classificado sob o código C43 do CID-10. Tendências temporais foram avaliadas por Joinpoint Regression, estratificadas por sexo, faixa etária e cor/raça autodeclarada. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre 2000 e 2023, registrou-se um total de 36.328 óbitos por melanoma cutâneo no país. A mortalidade apresentou crescimento significativo entre os anos de 2000 e 2017, com variação percentual anual de 2,72%, seguido de estabilização entre 2017 e 2023. A população branca concentrou a maior taxa de mortalidade (13,45/1 milhão), representando 80,96% dos óbitos. Pardos e pretos apresentaram taxas de mortalidade relativamente inferior, mas com crescimento significativo durante todo o período. Entre os idosos, observou-se aumento progressivo da mortalidade, sobretudo acima dos 60 anos. Houve também redução expressiva de registros com raça/cor ignorada. CONCLUSÃO: Os achados demonstram desigualdades relevantes segundo sexo, faixa etária e cor/raça, com destaque para a vulnerabilidade de indivíduos do sexo masculino, acima dos 60 anos e brancos. Apesar da estabilização recente, a mortalidade permanece elevada, indicando necessidade de estratégias integradas de prevenção, rastreamento e acesso ao tratamento.
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    Impactos da síndrome da apneia obstrutiva do sono na qualidade de vida infantil: a importância da polissonografia
    (UNISA, 2025) Neves, Júlia Tago; Graeff, Sofia Neubauer
    A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio do sono caracterizado por episódios de obstrução completa ou parcial da via aérea superior. Ao analisar a relação da SAOS tanto na qualidade de sono quanto de vida dos pacientes pediátricos, há um número crescente de evidências que apontam o impacto negativo desta no funcionamento e desenvolvimento infantil. O aumento do risco de morbidade e mortalidade nesses pacientes reforça a necessidade de identificação precoce, diagnóstico definitivo e tratamento eficiente, visando o melhor prognóstico. Investigar os impactos da SAOS na qualidade de vida infantil, destacando a necessidade do diagnóstico precoce para melhor prognóstico do quadro e da importância da polissonografia como ferramenta diagnóstica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada a partir da base de dados do PUBMED por meio dos descritores “Polysomnography”; “OSA”; “Children” e “Life quality” conectados pelo operador booleano “AND”. Foram incluídos artigos que apresentassem dados e relatos acerca da ocorrência de alterações na qualidade de vida de pacientes pediátricos respiradores orais, publicados em inglês, entre os anos 2014 e 2025, que estivessem disponíveis na íntegra de forma gratuita. Foram excluídos do estudo trabalhos que não tratassem diretamente do tema abordado ou duplicados. Foram analisados 53 estudos, dos quais apenas 12 permaneceram na análise final. A análise da literatura evidenciou que a SAOS está associada a maior risco de comorbidades cardiovasculares e metabólicas, além de alterações neurocognitivas, podendo comprometer o aprendizado, funções executivas e interações sociais. Observam-se ainda repercussões comportamentais que afetam diretamente o bem-estar da criança e aumentam o estresse familiar. Em relação ao diagnóstico, a polissonografia permanece como padrão ouro, apesar de limitações. Quanto ao tratamento, a adenotonsilectomia é a principal intervenção, embora apresente eficácia variável, influenciada por fatores como obesidade e gravidade da doença, reforçando a necessidade da individualização do cuidado. Os impactos da SAOS envolvem desde comprometimentos sistêmicos a psicossociais, afetando diretamente a qualidade de vida das crianças portadoras da síndrome e de seus cuidadores. Ressalta–se a importância tanto de diagnósticos precoces efetivos quanto atendimentos individualizados frente a cada caso.
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    Determinantes sociais e clínicos que influenciam o índice de cesarianas nas macrorregiões do Brasil (2013-2023)
    (UNISA, 2025) Chiatti, Lucas Oliveira
    Introdução: O Brasil apresenta uma das maiores prevalências de cesarianas do mundo, influenciado por fatores clínicos, sociodemográficos e estruturais. Embora essencial em situações de risco, o aumento de cesáreas não justificadas clinicamente tem levantado preocupações sobre medicalização do parto, desigualdade de acesso e impactos éticos na assistência obstétrica. Métodos: Estudo epidemiológico observacional, transversal analítico, utilizando dados do SINASC/DATASUS. Foram incluídos nascidos vivos entre 2013 e 2023, avaliando-se idade materna, escolaridade, raça/cor e número de consultas pré natais. A análise foi descritiva e comparativa entre macrorregiões. Resultados: Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentaram as maiores proporções de cesarianas (≥59%), enquanto Norte (47,8%) e Nordeste (52%) registraram prevalências menores. Idade materna avançada foi o fator com maior força de associação, especialmente para mulheres ≥35 anos. Escolaridade apresentou associação moderada, com maiores taxas de cesariana entre mulheres mais instruídas. Número de consultas pré-natais também se relacionou ao aumento de cesáreas nas regiões mais urbanizadas. Raça/cor mostrou a menor força de associação, mas evidenciou desigualdades: mulheres brancas apresentaram mais cesáreas, enquanto pretas, pardas e indígenas tiveram maior proporção de parto vaginal. Norte e Nordeste concentraram mais partos em adolescentes. Discussão: Os resultados apontam que fatores sociais, estruturais e assistenciais influenciam fortemente a via de parto no Brasil. A elevada medicalização do parto evidencia implicações éticas e sociais importantes, refletindo desigualdade de acesso, práticas intervencionistas e decisões nem sempre baseadas em necessidade clínica. Conclusão: A prevalência de cesarianas no Brasil segue elevada e heterogênea entre regiões. Idade materna, escolaridade, pré-natal e acesso ao sistema privado foram determinantes para maiores taxas de cesariana. Promover pré-natal adequado reduzir desigualdades e adotar modelos assistenciais baseados em evidências são fundamentais para diminuir cesáreas desnecessárias e garantir autonomia e segurança às gestantes.