Avaliação in silico de cisteíno-proteases de Trypanosoma cruzi como alvo imunogênico e farmacológico
Avaliação in silico de cisteíno-proteases de Trypanosoma cruzi como alvo imunogênico e farmacológico
Data
2025
Autores
Gonçalves, Guilherme Vieira
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
UNISA
Resumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas é uma condição clínica que ainda se debruça
sobre fortes vulnerabilidades biopsicossociais. Ainda que os índices epidemiológicos
da patologia tenham apresentado avanços significativos em razão das iniciativas de
âmbito nacional, tal doença permanece sendo um grande desafio para o
enfrentamento das enfermidades parasitárias, fazendo-se fundamental a busca por
abordagens biotecnológicas que investiguem alvos farmacológicos e moléculas de
potencial imunogênico. Neste contexto, merecem destaque as cisteíno-proteases,
uma categoria de hidrolase abundante no Trypanosoma cruzi, cuja função é
associada a sobrevivência, multiplicação, diferenciação e evasão do sistema imune
dos hospedeiros. OBJETIVO: O seguinte trabalho busca determinar a viabilidade de
seletos segmentos peptídicos de cisteíno-proteases derivadas de Trypanosoma cruzi
como potenciais alvos imunogênicos. METODOLOGIA: Inicialmente, sequências
nucleotídicas de cisteíno-proteases de Trypanosoma cruzi foram reunidas em banco
de dados do NCBI, analisadas por homologia no BLASTn, e traduzidas por meio do
BLASTX. Em seguida, a sequência protéica primária foi submetida às análises
multiparamétricas do ProtParam Expasy e ProSite Expasy. Posteriormente, foram
aplicados de forma combinada uma série de critérios de elegibilidade para
evidenciar fragmentos proteicos com características bioquímicas desejáveis. Uma
vez reunidos, tais parâmetros possibilitaram o delineamento de um grupo de
peptídeos candidatos a imunógenos. Na etapa seguinte, tais alvos foram analisados
quanto à probabilidade de indução de resposta imune via MHC-1 por intermédio das
simulações realizadas pelo Immune Epitope Database. Por fim, a cisteíno-protease
foi avaliada em relação à capacidade de ancoragem a outras drogas com atividade
tripanocida em investigação, tais como o itraconazol. RESULTADOS: A submissão
da sequência gênica da cisteíno-protease aos algoritmos do BLASTn e BLASTX
permitiu a determinação de um fragmento peptídico composto por 467 aminoácidos.
Também foi atestado que seu ponto isoelétrico (pI) equivale a 5.38 e que seu índice
de estabilidade é 40.88, conferindo instabilidade à molécula. Finalmente, foram
obtidos ainda os valores médios de hidrofilicidade (-0.046) e do índice alifático
(74.20). Tais dados predizem que a proteína apresenta boa solubilidade em
ambiente celular, satisfatório tempo de meia-vida (30 horas in vitro) e pI apropriado
para investigações prospectivas de docking. Ao final desse processo, a proteína foi
analisada sob a ótica de diversos outros critérios bioquímicos, que determinaram a
eleição de nove peptídeos com potencial imunogênico promissor. Dentre os
candidatos, cinco apresentaram elevada probabilidade de elicitar resposta imune via
MHC-1, reforçando a aptidão dos segmentos selecionados como fortes imunógenos.
CONCLUSÃO: Desse modo, conclui-se que a busca por novos imunógenos e
farmacoterapias alternativas para a tripanossomíase é um passo importante para o
tratamento adequado da patologia no país. Nesse sentido, é importante que as
análises in silico propostas no presente trabalho sejam consideradas futuramente, já
que podem fornecer informações valiosas para subsidiar estudos prospectivos
capazes de ratificar a viabilidade dessas novas terapias no combate à Doença de
Chagas.
Descrição
Palavras-chave
Saúde Única, Bioinformática, Doença de Chagas
Citação
GONÇALVES, Guilherme Vieira. Avaliação in silico de cisteíno-proteases de Trypanosoma cruzi como alvo imunogênico e farmacológico. Orientador: Ryan Emiliano da Silva. 2025. 27 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) - Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.