Avaliação diagnóstica da leptospirose aguda em felinos domésticos: uso combinado de técnicas sorológicas, moleculares e isolamento
Avaliação diagnóstica da leptospirose aguda em felinos domésticos: uso combinado de técnicas sorológicas, moleculares e isolamento
Data
2025
Autores
Silva, Marcio Muniz Barreto
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Editor
UNISA
Resumo
A leptospirose é uma zoonose bacteriana que acomete uma ampla diversidade
de mamíferos. Apesar do número cada vez maior de estudos em populações felinas
e do crescente reconhecimento da importância dos gatos na epidemiologia da
leptospirose, pouco se sabe sobre a forma aguda da doença nessa espécie, que é
considerada rara. Nesse contexto, a carência de informações sobre o quadro clínico
tipicamente apresentado por gatos pode mascarar o reconhecimento da doença e,
consequentemente, dificultar estimativas de incidência da doença nessa espécie.
Deste modo, considerando os fatos citados acima, este estudo teve como objetivo
identificar gatos com leptospirose aguda atendidos no HOVET UNISA-São Paulo,
Brasil, por meio da realização de testes moleculares (PCR), sorológicos (MAT) e
microbiológicos (cultura) em amostras de sangue, soro e urina de gatos. A partir da
identificação de casos positivos, foi realizada análise descritiva das alterações clínico
laboratoriais dos animais. Assim sendo, amostras de sangue foram coletadas entre
abril de 2023 a novembro de 2024, de 76 gatos com quadros de azotemia (ureia e
creatinina acima de 60mg/dL e 1,6g/dL, respectivamente) e/ou icterícia e/ou febre, na
tentativa de estabelecer o diagnóstico definitivo de leptospirose. Gatos que
apresentaram azotemia decorrente de quadro obstrutivo foram excluídos do estudo.
As amostras foram destinadas à amplificação do gene 16S por meio da PCR.
Amostras positivas foram submetidas a ensaio quantitativo em tempo real do gene
lipl32 para confirmação dos resultados. Dos animais incluídos no estudo, foi possível
amplificar DNA de leptospiras de 3,9 % (3/76), dos quais somente dois (Animal 1 e
Animal 2) apresentaram amplificação de material genético no ensaio de qPCR. O
Animal 1 tinha como queixa principal tosse e apetite seletivo. Após realização de
exame físico e exames de imagem, foi constatado quadro de broncopneumonia. Já o
Animal 2 apresentava como queixa principal quadro de disúria, polaquiúria e êmese.
Na ultrassonografia apresentou espessamento de paredes de duodeno, jejuno e íleo,
podendo estar associado a processo inflamatório com diferencial para infiltrado
neoplásico. Os rins apresentavam perda moderada da definição corticomedular,
cortical espessa e com ecogenicidade elevada em ambos os rins. Apesar de ambos
os animais apresentarem discreta azotemia, nenhum deles manifestou febre ou
icterícia, e nos dois casos, o quadro de leptospirose aguda não foi considerado como suspeita inicial.
Os resultados demonstraram que a leptospirose aguda em gatos pode não causar
sintomatologia tipicamente associada à infecção aguda como ocorre em outras
espécies, notavelmente o cão. A falta de reconhecimento da doença em gatos pode
levar à falsa percepção de que a leptospirose felina tem ocorrência esporádica ou de
menor importância na clínica médica.
Descrição
Palavras-chave
Azotemia, Febre, Felinos, Leptospira spp, Leptospiras
Citação
SILVA, Marcio Muniz Barreto. Avaliação diagnóstica da leptospirose aguda em felinos domésticos: uso combinado de técnicas sorológicas, moleculares e isolamento. Orientador: Bruno Alonso Miotto. 2025. 41 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Única) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.