Estudo da parasitofauna associada a traíras (Hoplias malabaricus) da grande São Paulo
Estudo da parasitofauna associada a traíras (Hoplias malabaricus) da grande São Paulo
Data
2025
Autores
Senzaki, Bruna Mika
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
UNISA
Resumo
A região Neotropical é reconhecida por sua vasta diversidade de peixes, abrigando
cerca de 9.000 espécies de água doce, distribuídas principalmente na América Central
e do Sul. Com essa grande variedade de espécies, espera-se uma significativa
diversidade parasitária associada a esses peixes. No entanto, estudos sobre a
interação parasito-hospedeiro ainda são escassos e muitas vezes negligenciados.
Pesquisas como a presente ajudam a esclarecer as implicações ecológicas e de
saúde pública, especialmente no que diz respeito à saúde única. Entre os principais
agentes infecciosos encontrados em peixes, os helmintos são os mais responsáveis
por doenças em seres humanos. As doenças transmitidas por animais aquáticos,
muitas das quais são consideradas emergentes, representam um risco crescente. O
grupo dos nematoides, especialmente da família Anisakidae, que inclui os gêneros
Anisakis, Pseudoterranova e Contracaecum, é amplamente estudado devido ao seu
potencial zoonótico, causando a anisaquiose, uma infecção adquirida pelo consumo
de peixes crus contendo larvas no estágio L3. Diversos grupos de parasitas já foram
identificados em traíras, muitos dos quais possuem relevância econômica e/ou para a
saúde humana e animal. Dessa forma, é fundamental estudar os parasitas presentes
em traíras de regiões periurbanas. O presente estudo teve como objetivo investigar a
ocorrência de parasitas em traíras do Reservatório da Guarapiranga, com foco na
avaliação de potenciais riscos zoonóticos. A coleta de peixes foi realizada em quatro
pontos do reservatório: Ponto 1 (23.76819°S, 46.77449°O), Ponto 2 (23.77275°S,
46.77838°O), Ponto 3 (23.75778°S, 46.727017°O) e Ponto 4 (23.68099°S,
46.73342°O). Após a coleta, foi realizada a necropsia, e coleta visual dos parasitas na
pele, cavidade peritonial, trato digestório, brânquias, olhos, e cavidade da narina e
boca. Os nematoides foram coletados, clarificados em solução de glicerina e as
estruturas internas fotografadas. Os resultados mostraram que 95,2% dos peixes
apresentaram nematoides no mesentério, com um número de até 106 parasitas em
um único indivíduo. Além disso, foram encontrados parasitas dos grupos Monogenea,
Digenea, Hirudinea e um platelminto não identificado. Com base nas características
morfológicas, os nematoides foram identificados como pertencentes ao gênero
Contracaecum. Embora a cidade de São Paulo apresente um alto índice de
desenvolvimento humano, ainda persiste a insegurança alimentar, especialmente em
relação a proteínas de origem animal. Nesse contexto, a busca por fontes alternativas
de alimento tem levado ao aumento da pesca artesanal e de subsistência, prática
comum em reservatórios periurbanos como o Guarapiranga. A traíra é uma das
espécies mais capturadas e consumidas nessa região, o que levanta preocupações
sobre os riscos associados ao consumo inadequado dos peixes parasitados.
Descrição
Palavras-chave
Hoplias malabaricus, Traíra, Reservatório da Guarapiranga, Parasitofauna, Contracaecum
Citação
SENZAKI, Bruna Mika. Estudo da parasitofauna associada a traíras (Hoplias malabaricus) da grande São Paulo. Orientador: Guilherme José da Costa Silva. 2025. 44 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Única) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.