Impacto da cirurgia robótica assistida na dor de pacientes com endometriose profunda: uma avaliação comparativa pré e pós-operatória
Impacto da cirurgia robótica assistida na dor de pacientes com endometriose profunda: uma avaliação comparativa pré e pós-operatória
Data
2025
Autores
Rocha Filho, Fábio Camaroto
Souza, Giulia Pietra Nascimento de
Zaccarelli, Joana Zuppo
Comodo, Leonardo Maua
Almeida, Maria Fernanda Mazeto de
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
UNISA
Resumo
A endometriose é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que afeta
de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, com tecido endometrial
formado fora da cavidade uterina. A doença apresenta sintomas debilitantes de
dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica e infertilidade, que também
afetam a qualidade de vida. O diagnóstico é complicado e requer um histórico
médico extenso, exames de imagem (ultrassonografia e ressonância magnética)
e, em casos duvidosos, laparoscopia diagnóstica. O tratamento é multimodal,
envolvendo terapia farmacológica, terapias complementares e, em situações
mais graves, intervenção cirúrgica. Dentre as metodologias disponíveis, a
cirurgia robótica foi identificada como uma modalidade segura e eficaz que
melhorou a precisão, reduziu a hospitalização e encurtou o tempo de
recuperação em comparação com a abordagem laparoscópica convencional.
Neste estudo de coorte prospectivo, 100 pacientes com o diagnóstico de
endometriose que foram submetidos à cirurgia robótica de fevereiro a maio de
2025 no Hospital e Maternidade Santa Joana, foram selecionadas para estudar
a intensidade da dor antes e depois dos procedimentos operatórios (alta
hospitalar, 2 e 6 semanas). Mulheres com idades entre 18 e 65 anos
classificadas como ASA II ou III foram incluídas de acordo com os critérios éticos
aceitos. Os dados foram analisados estatisticamente usando o teste do qui
quadrado com base no STROBE. De 100 pacientes, o acompanhamento inicial
foi de 54 delas, que realizaram acompanhamento até a 6ª semana pós
operatória. A idade média foi de 39,6 ± 6,8 anos, e o IMC médio foi de 32,1 ±
10,9 kg/m². A maioria tinha comorbidades, incluindo ansiedade, hipotireoidismo
e hipertensão, e foram prescritos medicamentos contínuos. As cirurgias
realizadas duraram em média 268,9 minutos com 3,9 dias de internação.
O envolvimento ginecológico e intestinal (46,3%) foram os procedimentos
mais comumente realizados.
Em relação à dor, após o acompanhamento, 55,6% dos pacientes
experimentaram algum grau de dor, sendo a incidência mais alta duas semanas
após a cirurgia (83,3%), embora de intensidade leve. Não houve complicações
anestésico-cirúrgicas.
Os achados deste estudo sugerem que a cirurgia robótica é uma opção
aceitável e segura para o tratamento da endometriose, com alívio eficaz da dor
e curso pós-operatório rápido. A ausência de complicações e a dor de
intensidade baixa a moderada resultam em um potencial semelhante para a
técnica como uma estratégia de tratamento eficaz em pacientes com
endometriose profunda.
Descrição
Palavras-chave
Endometriose, Cirurgia Robótica, Dor Pélvica, Período Pós-Operatório
Citação
ROCHA FILHO, Fábio Camaroto [et al.]. Impacto da cirurgia robótica assistida na dor de pacientes com endometriose profunda: uma avaliação comparativa pré e pós-operatória. Orientador: Thomas Miklos. 2025. 40 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) - Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.