Avaliação da prevalência do risco cardiovascular e síndrome metabólica em pacientes com artrite reumatoide de longa data
Avaliação da prevalência do risco cardiovascular e síndrome metabólica em pacientes com artrite reumatoide de longa data
Data
2025
Autores
Barros, Beatriz Souza
Moraes, Isabela Keismanas de Ávila
Franchin, Isabella Ferreira
Salem, Larissa Vendramini
Rodrigues, Laura Mudenuti
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
UNISA
Resumo
INTRODUÇÃO: A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica
associada a maior risco cardiovascular (RCV), decorrente tanto da inflamação
persistente quanto da elevada prevalência de fatores metabólicos. A síndrome
metabólica (SM), por sua vez, constitui um importante preditor de eventos
cardiovasculares. METODOLOGIA: Estudo transversal, realizado em ambulatório
universitário, entre junho de 2024 e junho de 2025, incluindo pacientes com AR em
seguimento a mais de 5 anos. Foram coletados dados clínicos, antropométricos,
laboratoriais, tratamento atual, atividade da doença (DAS-28) e presença de síndrome
metabólica (SM) segundo critérios da IDF (2006). O risco cardiovascular (RCV) foi
estimado pelo SCORE2/SCORE2-OP ajustado para AR. RESULTADOS: A amostra
foi composta por 60 pacientes, predominantemente mulheres (88%), com média de
idade de 57 anos. A prevalência de SM foi de 37%. Os pacientes com SM eram mais
velhos e apresentavam maior tempo de doença, além de maior frequência de
hipertensão (81,8%), hipertrigliceridemia (54,5%), HDL reduzido (45,5%) e diabetes
mellitus (27,3%). A obesidade abdominal foi observada em 86,7% da amostra. Quanto
ao DAS-28, 66% estavam em remissão e 21% em baixa atividade. Não houve
diferenças significativas nos níveis de PCR, VHS ou DAS-28 entre os grupos com e
sem SM. Contudo, o risco cardiovascular alto ou muito alto foi mais prevalente entre
pacientes com SM (54% contra 16%). Na ultrassonografia carotídea, 18%
apresentaram placas ateromatosas ou estenose. DISCUSSÃO: Observou-se
elevada frequência de síndrome metabólica em pacientes com artrite reumatoide, em
concordância com estudos que descrevem prevalência aumentada dessa condição e
de fatores de risco cardiometabólicos tradicionais nessa população (4,9,10). Mesmo
com atividade inflamatória controlada, o risco cardiovascular permaneceu elevado,
reforçando o papel do processo inflamatório crônico e da aterosclerose acelerada na
determinação desse risco em indivíduos com AR (8). Tais achados estão alinhados
às recomendações atuais que preconizam a estratificação sistemática do risco
cardiovascular em pacientes com AR e reconhecem a presença de placa carotídea
como marcador de risco muito alto (7,20). CONCLUSÃO: O estudo identificou alta
prevalência de síndrome metabólica e maior risco cardiovascular em pacientes com
artrite reumatoide de longa duração. Fatores metabólicos clássicos foram mais
frequentes nesses indivíduos, impactando sua classificação de risco. Mesmo com
baixa atividade da doença, não houve diferenças marcantes em marcadores
inflamatórios, indicando que o risco cardiovascular se relaciona mais à inflamação
crônica e às alterações metabólicas. Estudos futuros são necessários para aprofundar
essa compreensão.
Descrição
Palavras-chave
Artrite Reumatoide, Risco Cardiovascular, Síndrome Metabólica, Aterosclerose Subclínica, Prevalência
Citação
BARROS, Beatriz Souza [et al.]. Avaliação da prevalência do risco cardiovascular e síndrome metabólica em pacientes com artrite reumatoide de longa data. Orientadora: Lucia Stella Seiffert de Assis Goulart. 2025. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) - Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.