Efeito terapêutico do treino de equilíbrio e marcha com calçado flexível e sem salto em idosas com osteoartrite de joelho: ensaio clínico randomizado
Efeito terapêutico do treino de equilíbrio e marcha com calçado flexível e sem salto em idosas com osteoartrite de joelho: ensaio clínico randomizado
Data
2022
Autores
Pereira, Daniel Borges
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Editor
UNISA
Resumo
A osteoartrite (OA) é a afecção mais frequente do sistema musculoesquelético, o que contribui para incapacidade funcional de aproximadamente 15% da população mundial. O estresse mecânico é uma das principais causas de seu surgimento e progressão da OA, principalmente em articulações expostas à constante sobrecarga e movimentação, como o joelho. Recentes estudos demonstraram, de forma aguda, que o uso de um calçado flexível e sem salto proporcionou redução de sobrecarga articular dos joelhos de idosas com OA. . Objetivo: O objetivo do presente estudo foi investigar o efeito terapêutico do programa de treino de equilíbrio e marcha com uso do calçado flexível e sem salto em relação a condição descalça sobre os aspectos clínicos, funcionais e biomecânicos da marcha de idosas com OA de joelho. Métodos: Foi conduzido um ensaio clínico controlado, randomizado e com avaliador cego, no qual trinta e sete pacientes idosas com OA de joelho foram alocadas aleatoriamente em dois grupos: intervenção com treino de resistência muscular, equilíbrio e marcha com calçado flexível e sem salto (GIC, n=17) e intervenção de treino de resistência muscular, equilíbrio e marcha na condição descalça (GID, n=20). As idosas controle receberam a intervenção na condição descalça (GC, n=20). A intervenção foi composta por um programa de exercícios para treino de equilíbrio estático com resistência muscular de membros inferiores, treino de equilíbrio reativo e proativo e treino de marcha com foco no apoio dos pés. O CIC realizou a intervenção com o uso de um calçado flexível e sem salto da marca Moleca®. O programa de intervenção teve duração de dois meses consecutivos, por duas vezes na semana com duração de 45 minutos cada sessão. Os desfechos primários foram: a intensidade da dor pela Escala Visual Analógica e funcionalidade pelos questionários: WOMAC (Western Ontario and MacMaster Universities Osteoarthritis) e Algo-Funcional de Lequesne. Os desfechos secundários foram: o teste de caminhada de seis minutos, o questionário Falls Risk Awareness Questionnaire-FRAQBrasil, o Timed Up & Go Test (TUG), a distribuição da carga plantar durante a marcha pela plataforma de pressão. Análise Estatística: Os efeitos pré e pós-intervenção foi verificado pelo test t Student pareado. Os efeitos entre grupos e intervenção: GIC, GID e pela ANOVAs two-way, adotado o nível de significância de 5%. Resultado: As idosas com OA de joelhos de ambos os grupos: GIC e GID mostraram redução da dor (joelho e pés) e do edema no joelho após programa de intervenção, enquanto que as idosas controle (GC) não mostraram nenhuma mudança clínica. Observou-se também aumento da funcionalidade (WOMAC e Lequesne), do equilíbrio (TUG), da distância de caminhada (TC6) e da percepção do risco de quedas (FRAQ) para ambos os grupos de intervenção: GIC e CID das idosas com OA e controle, destacando-se alto tamanho de efeito para OA e mantendo-se sem diferenças após dois meses de intervenção quando comparado ao grupo controle. A carga plantar (pico de pressão e força máxima) foram diminuídas em todas as áreas dos pés nas idosas com OA de joelho, após intervenção com calçado (GIC) e descalço (GID), enquanto que as idosas controle somente reduziram o pico de pressão sobre o retropé medial e lateral. Ambos os grupos apresentaram excelente aceitabilidade, adequação e viabilidade para a intervenção. Conclusão: O protocolo de treino de resistência muscular, treino de equilíbrio reativo e pró-ativo e marcha com e sem calçado minimalista flexível foi efetivo, no período de 2 meses consecutivos, para reduzir a dor, edema e aumentar a funcionalidade dos joelhos, o equilíbrio, a distância de caminhada e a percepção de quedas das idosas com OA de joelho com e sem o uso do calçado durante intervenção. Durante a marcha, o protocolo de intervenção na condição do calçado minimalista ou descalça promoveram uma redução da carga plantar sobre os pés das idosas com OA de joelho, enquanto que na idosas controle somente sobre o retropé. As idosas com e sem OA mostraram excelente aceitabilidade e viabilidade da intervenção.
Descrição
Palavras-chave
Osteoartrite, Joelho, Calçado, Exercício, Pé, Marcha, Equilíbrio
Citação
PEREIRA, D. B. Efeito terapêutico do treino de equilíbrio e marcha com calçado flexível e sem salto em idosas com osteoartrite de joelho: ensaio clínico randomizado. Orientador: Ana Paula Ribeiro
2022. 61 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) — Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2022.