O papel do interferon na fisiologia do lúpus eritematoso sistêmico e as perspectivas terapêuticas de anticorpos anti-receptor de interferon e de inibidores de Janus quinase ou Tirosina quinase 2: uma revisão narrativa

Resumo
INTRODUÇÃO: O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune sistêmica caracterizada por uma atividade aberrante do sistema imune, levando a uma ampla gama de manifestações clínicas. Por conta disso, os sintomas inespecíficos podem levar os profissionais da saúde a propor vários diagnósticos diferenciais, ou seja, frequentemente há atraso no diagnóstico. Febre, fadiga e artralgia são os sintomas mais observados no início da doença, mas rash malar e manifestações cutâneas também são comuns. O tratamento padrão recomendado inclui antimaláricos, corticosteroides e anti-inflamatórios não esteroides, no entanto, seus alvos são inespecíficos. Portanto, recentes avanços terapêuticos mostram novas perspectivas terapêuticas com alvos específicos no tratamento do lúpus eritematoso sistêmico. METODOLOGIA: Análise de artigos científicos publicados entre 2000 e 2025 na base de dados PubMed, com critérios específicos de inclusão e exclusão e análise temática. Para a confecção da tabela, foi realizada extração de dados de bulas profissionais dos medicamentos contidos no trabalho, de acordo com o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre todos os medicamentos comparados, o anifrolumabe, um anticorpo monoclonal anti receptor de interferon, é o único disponível para o tratamento do lúpus eritematoso sistêmico no Sistema Único de Saúde, e mostrou eficiência na redução das manifestações cutâneas. Além disso, em alguns casos, foi possível proporcionar resposta renal completa para pacientes com nefrite lúpica. Os demais medicamentos, inibidores de Janus quinase e Tirosina quinase 2, estão disponíveis no Brasil apenas para o tratamento de outras doenças, mas alguns também apresentaram resultados promissores, reduzindo a expressão de interferons e citocinas inflamatórias, reparando o endotélio, ou resolvendo manifestações articulares e cutâneas na maioria dos pacientes. CONCLUSÃO: A pesquisa indica que as novas terapias, embora sejam caras e pouco acessíveis, vêm ampliando as possibilidades de manejo do lúpus eritematoso sistêmico, oferecendo abordagens mais específicas e seguras para diferentes manifestações da doença, principalmente o upadacitinibe e deucravacitinibe.
Descrição
Palavras-chave
Lúpus Eritematoso Sistêmico, Quadro Clínico, Anticorpo Anti-Receptor de Interferon, Inibidor de Janus quinase, Inibidor de Tirosina quinase 2
Citação
BELLANGERO, Felipe Jordão. O papel do interferon na fisiologia do lúpus eritematoso sistêmico e as perspectivas terapêuticas de anticorpos anti-receptor de interferon e de inibidores de Janus quinase ou Tirosina quinase 2: uma revisão narrativa. Orientador: Nilton Salles Rosa Neto. 2025. 22 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) - Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.
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