A correlação entre a endometriose e o microbioma do trato reprodutor feminino e intestinal
A correlação entre a endometriose e o microbioma do trato reprodutor feminino e intestinal
Data
2025
Autores
Elias, Nabila Bassam
Nascimento e Silva, Fernanda
Parra, Isabella Braggion
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
UNISA
Resumo
INTRODUÇÃO: A endometriose configura-se como uma doença ginecológica
benigna de caráter inflamatório crônico, multifatorial, e fortemente associada à
desregulação imunológica e hormonal. Evidências emergentes apontam para uma
estreita inter-relação entre a disbiose das microbiotas intestinal e do trato reprodutivo
feminino e os mecanismos fisiopatológicos da doença. Essa perturbação do equilíbrio
microbiano local e sistêmico tem sido investigada não apenas como consequência do
microambiente inflamatório, mas também como fator etiopatogênico potencial, com
impacto sobre a permeabilidade mucosa, modulação do eixo estrogênio-inflamação e
ativação de vias imunológicas. OBJETIVOS: Analisar criticamente de que maneira a
inflamação crônica e as alterações na composição das comunidades microbianas
intestinais e genitais influenciam a progressão da endometriose. Avaliar a associação
entre disbiose, desregulação hormonal (com ênfase no estroboloma) e ativação
imune, bem como explorar o potencial terapêutico de estratégias baseadas na
modulação do microbioma. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa da
literatura conduzida por meio de busca sistematizada na base de dados PubMed,
utilizando descritores controlados pelo DeCS/MeSH. Foram incluídos artigos
publicados entre 2021 e 2024 que abordam a correlação entre endometriose e
alterações na microbiota intestinal e/ou do trato genital inferior feminino. Foram
priorizados estudos originais que apresentassem relevância clínica. RESULTADOS E
DISCUSSÃO: Mulheres com endometriose frequentemente apresentam disbiose
intestinal, caracterizada pelo aumento de bactérias Gram-negativas, como
Escherichia e Shigella, associado à redução de cepas comensais. Esse desequilíbrio
compromete a barreira epitelial intestinal, permitindo a translocação de
lipopolissacarídeos (LPS) através do epitélio. Uma vez na lâmina própria, essas
moléculas podem alcançar a circulação portal e sistêmica, onde ativam vias
inflamatórias mediadas por receptores Toll-like (TLRs). Esse processo resulta na
produção aumentada de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL-6 e IL-1β que
inibem a apoptose de implantes. O estroboloma ao reativar estrogênios para a
circulação favorece a proliferação de implantes. No trato vaginal ocorre a redução de
Lactobacillus spp. e o aumento de Gardnerella, Streptococcus e Prevotella que
ascendem pelo trato reprodutor feminino e alcançam o peritônio visceral,
intensificando a aderência dos implantes endometrióticos localizados total ou
parcialmente nesse revestimento, incluindo alças intestinais, útero e bexiga.
Probióticos como Lactobacillus gasseri demonstraram efeitos benéficos. Estilos de
vida inflamatórios agravam o quadro disbiótico, reforçando a interação entre fatores
ambientais e microbioma. CONCLUSÃO: A endometriose é uma doença imuno
endócrino-inflamatória, associada à disbiose em um ciclo de retroalimentação que
intensifica a inflamação. Esse processo é mais evidente na endometriose infiltrativa
profunda, devido à perda da integridade da barreira epitelial e à passagem de
endotoxinas. Além disso, a doença apresenta alta taxa de recorrência após tratamento
cirúrgico ou hormonal, reforçando a necessidade de novas estratégias terapêuticas
voltadas ao controle da inflamação.
Descrição
Palavras-chave
Endometriose, Disbiose, Microbiota, Microbioma
Citação
ELIAS, Nabila Bassam; NASCIMENTO E SILVA, Fernanda; PARRA, Isabella Braggion. A correlação entre a endometriose e o microbioma do trato reprodutor feminino e intestinal. Orientador: Gabriel Monteiro Pinheiro. 2025. 31 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) - Universidade Santo Amaro, São Paulo, 2025.